Governo confirma El Niño muito forte em 2026 e aponta seca no Norte e Nordeste e chuva em excesso no Sul

Governo confirma El Niño muito forte em 2026 e aponta seca no Norte e Nordeste e chuva em excesso no Sul

  • 3 de agosto de 2026
  • Clima
  • 3 de agosto de 2026
  • Clima
Compartilhe essa notícia:
Fotografia de céu com nuvens carregadas de chuva sobre plantação, ilustrando os efeitos do El Niño muito forte previsto para 2026 no Brasil.

O governo confirmou que El Niño deve chegar com força total entre a primavera e o verão de 2026. A previsão foi divulgada em conjunto pelo Inmet, Inpe, ANA, Cemaden, SGB, Sedec e Censipam. Além disso, segundo Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há 81% de chance de o fenômeno atingir seu pico de intensidade entre outubro e dezembro.

El Niño é o aquecimento das águas do Oceano Pacífico, que muda o comportamento das chuvas em todo o Brasil. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia, o mar já está mais quente do que o normal em vários pontos do oceano, e essa diferença de temperatura só deve crescer nos próximos meses.

Para o período de agosto a outubro, a previsão é de menos chuva no centro-norte do Brasil e mais chuva na Região Sul. Esse padrão de chuva forte no Sul pode se estender até o sul de São Paulo e do Mato Grosso do Sul. As temperaturas, por sua vez, devem ficar acima da média em quase todo o país.

Por que El Niño muda o padrão de chuva no Brasil

Quando o Pacífico esquenta, o vento e a umidade que normalmente se distribuem pelo Brasil mudam de rota. Na prática, a chuva se concentra no Sul enquanto o centro-norte fica mais seco. Esse movimento já vinha sendo notado desde março, quando o mar começou a esquentar de forma gradual.

Em julho, o número de municípios em seca severa já era de 55, contra 38 no mês anterior. Apesar do aumento, a situação ainda está bem melhor do que em 2023, quando 239 municípios enfrentavam seca severa no mesmo período. Segundo o Censipam, a seca de agora está mais concentrada na região do Matopiba, no Norte e Nordeste.

O que muda na colheita e no manejo por região

No Norte, Nordeste e Centro-Oeste, o tempo seco tem um lado bom: ele ajuda a colher milho segunda safra, algodão e sorgo sem atraso por chuva. Por outro lado, a falta de água exige mais irrigação e pode reduzir a água disponível para os animais, principalmente no Nordeste.

Na Região Sul, o cenário é o contrário. As chuvas mais fortes ajudam a repor a umidade do solo para o plantio de milho e soja de verão. Mas chuva demais também traz problema: aumenta o risco de fungo nas lavouras de inverno e pode atrasar a colheita. No Sudeste, o calor e a falta de água ameaçam cana-de-açúcar, citros e pastagens.

Com o risco de perda subindo em quase todo o país, vale a pena revisar a proteção da safra antes que o problema apareça. Uma opção é avaliar a cobertura contra prejuízos causados por clima extremo ainda neste segundo semestre.

Risco de incêndio aumenta na Amazônia e no Cerrado

Entre agosto e outubro, o risco de incêndio deve piorar bastante em relação ao mês anterior. A situação fica mais grave no Mato Grosso e em quase toda a Região Norte. O Censipam já projeta queimadas intensas em Tocantins, Pará, Maranhão, Amazonas, Acre e Rondônia, repetindo o que aconteceu em 2023 e 2024.

O motivo é simples: menos nuvem, mais sol e menos umidade no ar deixam o mato seco e fácil de pegar fogo. Por isso, produtores em áreas perto de mata ou vegetação nativa devem reforçar os aceiros e evitar fazer queimadas controladas enquanto o ar estiver muito seco.

Como a Região Sul deve se preparar para o excesso de chuva

Diferente do resto do país, o maior risco no Sul não é seca; é enchente. Em junho de 2026, o rio Uruguai já estava com o nível mais alto do que o normal para a época, e bacias como as dos rios Caí, Taquari, Sinos e Uruguai já sofreram alagamentos. Como a região não tem nenhuma seca acumulada para compensar, qualquer chuva forte pode virar enchente rapidamente.

Por isso, produtores do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina devem redobrar a atenção com o nível dos rios nas próximas semanas. Uma medida prática é adiantar a colheita das culturas de inverno sempre que a previsão indicar chuva forte, evitando perda de grãos por excesso de umidade no solo.

O que fazer agora na propriedade

O boletim recomenda que cada produtor conheça os riscos específicos da sua região, seja seca, incêndio ou enchente. Também orienta manter o cadastro atualizado para receber alertas da Defesa Civil no celular. Em áreas que já sofreram com seca ou enchente antes, ficar atento às previsões evita decisões de última hora sobre plantio, irrigação e colheita.

Perguntas frequentes sobre El Niño muito forte em 2026

O que significa dizer que El Niño será “muito forte”?

Significa que a intensidade do fenômeno supera a média histórica dos últimos eventos, o que tende a tornar os efeitos regionais – seca no Norte, chuva forte no Sul – mais extremos do que em anos de El Niño moderado. Eventos dessa magnitude ocorreram apenas três vezes nos últimos 40 anos.

El Niño de 2026 será igual ao de 2023?

Não necessariamente. Embora o padrão de chuva siga a mesma lógica, o número de municípios em seca severa em 2026 é bem menor que em 2023 no mesmo período do ano. Isso indica que a intensidade dos efeitos pode variar mesmo dentro da mesma classificação do fenômeno.

Existe alguma cultura que sofre em todas as regiões ao mesmo tempo?

Sim, as pastagens tendem a sofrer tanto no Nordeste, pela falta de água, quanto no Sudeste, pelo calor combinado com restrição hídrica. Por isso, produtores de pecuária nessas duas regiões devem ter atenção redobrada ao planejamento de forragem para o segundo semestre.

O que muda no manejo de pragas e doenças com El Niño?

O aumento de chuva na Região Sul eleva o risco de fungos nas lavouras de inverno, exigindo monitoramento mais frequente e possível ajuste no calendário de aplicações fitossanitárias. Já nas regiões mais secas, cresce o risco do aumento de pragas que se adaptam melhor a condições de estresse hídrico.

Redação Veja Agro
Redação Veja Agro
Colunista
O Veja Agro é um site de notícias comprometido em trazer informações relevantes e atuais para nossos leitores.

Nossa equipe de jornalistas e colunistas está sempre a procura das notícias mais importantes para que você possa estar sempre informado sobre o que está acontecendo no mundo do agronegócio.

Aqui, o agro está sempre em foco!