
O clima está cada vez mais imprevisível e os custos para cuidar da terra não param de subir. Diante desse cenário, a ciência tem buscado formas de ajudar o produtor rural a garantir uma colheita mais segura. A maior promessa dessa nova fase da ciência no campo é a tecnologia CRISPR.
A sigla complicada, que vem do inglês, pode assustar no começo. Porém, o conceito prático é muito simples: trata-se de uma ferramenta de edição de genes. Ela permite criar plantas mais fortes, que exigem menos defensivos e aguentam períodos mais longos sem chuva.
Recomendação para o produtor: ao planejar o próximo ciclo, converse com o seu agrônomo de confiança ou com os técnicos da sua cooperativa sobre as novas variedades de sementes disponíveis para a sua região. Escolher a semente correta na fase de pré-plantio é a decisão mais barata e importante para garantir o sucesso de toda a colheita.
A tecnologia CRISPR funciona como uma espécie de “tesoura genética”. Os cientistas descobriram como usar essa tesoura microscópica para cortar e editar pedaços muito específicos do DNA de uma planta. Ao fazer isso, eles conseguem desligar características ruins (como a fraqueza contra um determinado fungo) ou ligar características boas (como raízes mais profundas para buscar água).
No Brasil, centros avançados de pesquisa em biotecnologia, como o Centro de Pesquisa em Genômica para Mudanças Climáticas (GCCRC) – uma iniciativa conjunta da Embrapa com a Unicamp –, lideram o desenvolvimento de sementes desenhadas especificamente para o clima tropical e para os solos brasileiros.
A aplicação do CRISPR no Brasil não é um projeto para o futuro distante; os testes já mostram resultados impressionantes para as principais culturas do país. Fique por dentro do que está saindo dos laboratórios da Embrapa para o campo:
Essa é a dúvida mais comum entre os produtores e os consumidores. Embora as duas tecnologias mudem a genética da planta, o processo é completamente diferente:
Por ser um processo natural, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) determinou que grande parte das sementes editadas por CRISPR não precisa passar pelas mesmas barreiras burocráticas rigorosas dos transgênicos tradicionais. Isso facilita e acelera a comercialização dos grãos pelo produtor brasileiro, inclusive para a Europa.
A chegada dessas novas sementes aos armazéns vai transformar a rotina do agricultor. Os principais benefícios esperados incluem:
No início, toda nova tecnologia possui um custo um pouco maior. Porém, como o processo de desenvolvimento do CRISPR é mais barato e rápido do que o dos transgênicos antigos, a tendência é que o preço dessas sementes caia rapidamente. Além disso, a economia gerada com a menor aplicação de defensivos costuma compensar com folga o investimento na semente.
Sim, mas de forma gradual. No Brasil, as primeiras sementes editadas por CRISPR já foram liberadas pelas agências de segurança biológica, como algumas variedades de milho e soja. No entanto, elas estão chegando primeiro aos grandes produtores para multiplicação de sementes. Para o pequeno e médio produtor, o acesso direto em lojas de revenda ou por meio do sistema de trocas das cooperativas deve se consolidar nos próximos ciclos de plantio, à medida que a produção dessas sementes aumentar no país.
Sim. Como a tecnologia CRISPR apenas reorganiza os genes que já existem na própria planta, as agências reguladoras do Brasil e do mundo consideram esses alimentos tão seguros quanto os cultivados de forma tradicional, sem risco algum à saúde.
Sim, sem problemas. A grande vantagem das plantas editadas por CRISPR é que a maioria dos países compradores não as classifica como transgênicas comuns, incluindo a União Europeia, Estados Unidos e China). Como não há inserção de DNA de outras espécies, as barreiras de exportação são muito menores, garantindo que o produtor brasileiro continue exportando com facilidade.
Depende da cultura e das regras de registro da semente. Para plantas como a soja, cultura na qual é comum o produtor guardar sementes para uso próprio dentro da lei, a edição por CRISPR continua no DNA da planta nas gerações seguintes. Porém, para culturas híbridas como o milho, o produtor precisará adquirir novas sementes a cada ciclo para garantir a força e produtividade da planta, além de sempre respeitar as regras de proteção de cultivares das empresas que desenvolveram a tecnologia.
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