
A colheita de algodão 2025/26 começou em pontos isolados, mas a maior parte da lavoura ainda amadurece. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mostra que o algodão da Bahia chegará ao ponto de colher cerca de duas semanas antes do de Mato Grosso, mesmo com plantio feito em datas próximas, em meados de janeiro.
O motivo que sustenta essa previsão é o calor, não o calendário. Cada estágio da planta exige uma quantidade de calor acumulado para acontecer. Então, somar o calor recebido dia a dia mostra o momento real da lavoura melhor do que contar dias após o plantio.
As temperaturas foram parecidas nos dois estados, com médias entre 23 °C e 24 °C. A diferença foi a chuva. Sapezal (MT) recebeu cerca de 747 mm no ciclo, com 49,6 mm só no último mês, e essa umidade manteve a planta enchendo as maçãs por mais tempo, empurrando a maturação para frente.
Luís Eduardo Magalhães (BA) viveu o oposto. Foram apenas 235 mm no ciclo e quase nada no último mês (0,8 mm). A seca acelerou a abertura dos capulhos e deixou a lavoura baiana em maturação adiantada, enquanto a mato-grossense ainda está saindo do enchimento das maçãs.
Para quem colhe na Bahia, o cenário pede pressa: máquina e transporte prontos para entrar na lavoura em até duas semanas, começando pelos talhões mais adiantados na abertura de capulho. A previsão de tempo seco na semana ajuda, porque capulho aberto e sem umidade preserva o tipo da fibra, que é o que define o preço da pluma.
Para quem colhe em Mato Grosso, a colheita chega em quatro a cinco semanas. Esse intervalo é a janela certa para fechar o desfolhante com preço e agenda negociados, sem correr no fim. O alerta é a chance de pancadas isoladas em Sapezal na semana seguinte: chuva sobre capulho aberto atrasa a operação e derruba a qualidade da fibra. Contra esse risco, a proteção da lavoura contra perdas por eventos climáticos cobre o que o manejo sozinho não segura.
Para acompanhar a própria lavoura, o mesmo cálculo de calor está disponível no Sistema de Suporte à Decisão na Agropecuária (Sisdagro), do Inmet: basta informar a data de plantio e o município na plataforma oficial de monitoramento.
Porque a planta não conta dias, conta calor. Cada estágio do algodão precisa de uma soma de calor para acontecer, e regiões mais quentes e secas atingem o ponto de colheita antes. Bahia e Mato Grosso plantaram em meados de janeiro, mas a seca baiana empurrou a maturação semanas à frente da lavoura mato-grossense.
O sinal de campo é a proporção de capulhos abertos, não a data. Perto de 95% dos capulhos abertos, a lavoura está no ponto de colheita mecanizada. Antes disso, entre 60% e 70%, é a hora da desfolha. O produtor pode cruzar essa observação com o mapa de calor do Sisdagro para se antecipar.
A água mancha e enfraquece a fibra dentro do capulho aberto. Fibra manchada ou úmida cai de tipo na classificação e é vendida por menos, além de dar dor de cabeça no beneficiamento. Por isso, a semana seca prevista para Bahia e Mato Grosso é uma boa janela para acelerar a colheita das áreas já abertas.
Não, pois esperar demais expõe a pluma aberta ao sol e à chuva por mais tempo, com perda de qualidade. A desfolha uniformiza a abertura e antecipa a colheita, reduzindo o tempo de exposição da fibra no campo. Em Mato Grosso, o cálculo de calor indica que essa janela abre em quatro a cinco semanas.
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