
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) projeta o avanço de uma massa de ar frio sobre o Centro-Oeste entre 22 e 29 de junho de 2026, que sustenta a friagem no Mato Grosso do Sul com mínimas entre 8 °C e 10 °C. É a faixa mais fria prevista para a região no período.
De acordo com o instituto, uma frente fria mantém a chuva entre o Mato Grosso do Sul, o oeste e o sul do Mato Grosso e o sul de Goiás pelo menos até quarta (24). Os maiores acumulados, em torno de 60 mm, se concentram entre sul de Goiás, sudeste do MT e nordeste do MS, com recuo a partir de quinta (25).
O Inmet aponta que, atrás dessa frente fria, o ar frio avança sobre a fronteira agrícola. A queda de temperatura provoca friagem no sul do Amazonas, no Acre e em Rondônia, regiões de clima quente onde o frio surpreende o rebanho a pasto.
Nas demais áreas do Centro-Oeste, os menores valores ficam entre 16 °C e 22 °C. Já o norte do Mato Grosso segue quente, com máximas que chegam aos 36 °C ao longo da semana, conforme a previsão do instituto.
A frente fria empurra o ar quente para o norte e abre espaço para uma massa de ar frio e seco vinda do Sul. Esse ar limpa o céu e reduz a umidade, condição que acelera a perda de calor do solo durante a madrugada. Por isso, as mínimas despencam, mesmo num estado de clima geralmente quente como o MS.
O frio chega num momento de peso para a pecuária local. O Mato Grosso do Sul já confina 900 mil cabeças, com crescimento de 17,8% em 2025, conforme o Censo Brasileiro de Confinamento, da dsm-firmenich. Cada dia de ar frio mexe com o consumo de cocho e o ganho de peso desses animais.
No inverno, a pastagem cresce menos e perde valor nutricional. Ao mesmo tempo, o animal gasta mais energia só para manter a temperatura corporal. A soma de pasto pobre e frio intenso trava o ganho de peso e pode fazer o boi emagrecer no auge da friagem.
A correção passa por suplementação proteica e energética nos lotes a pasto e por dieta ajustada no confinamento. Acompanhar peso e consumo lote a lote evita que a perda passe despercebida. Esse é um ponto detalhado em uma análise sobre indicadores que sustentam a margem da cria e da recria.
Nas primeiras semanas, o bezerro ainda não regula bem a própria temperatura. Dessa forma, a friagem eleva o risco de hipotermia e de mortalidade da cria, sobretudo de madrugada e em áreas baixas, onde o ar frio se acumula. O prejuízo aqui é direto: cada animal perdido derruba a taxa de desmama da safra.
A janela de ação é curta. Portanto, as medidas a seguir valem para os próximos dias e priorizam os animais mais expostos ao frio:
Acompanhar a resposta de cada animal ao frio fica mais simples com o controle individual de peso e consumo do rebanho, que aponta cedo o lote que está perdendo desempenho.
A mesma massa de ar frio que atinge o Centro-Oeste avança sobre outras regiões produtoras. Confira os destaques do boletim do Inmet para o período de 22 a 29 de junho:
Friagem é a queda brusca de temperatura provocada pelo avanço de uma massa de ar frio do Sul até o sudoeste da Amazônia. O ar percorre a depressão central do continente e alcança Acre, Rondônia e sul do Amazonas. O fenômeno dura poucos dias, mas surpreende rebanhos pouco acostumados ao frio, que perdem desempenho mesmo em queda de temperatura curta.
O bovino de corte adulto tem conforto térmico amplo, em torno de 10 °C a 27 °C, e o Nelore suporta bem as mínimas previstas para o MS. Não existe um limiar único: vento e umidade tiram calor do animal e derrubam esse piso na prática. O ponto crítico é o bezerro recém-nascido, que regula mal a própria temperatura e perde calor rápido em chão molhado e exposto ao vento, situação que pede abrigo imediato.
Não nesta semana. As mínimas previstas entre 8 °C e 10 °C ficam acima do limiar de formação de geada, que exige temperatura próxima de zero. A diferença fica clara no comparativo: para gear de fato, como em maio de 2025, Rio Brilhante precisou marcar 0,7 °C, de acordo com o Cemtec-MS. Ainda assim, fundos de vale concentram o ar frio e podem gear mesmo com mínima oficial maior.
Sim, nos lotes mais expostos. O frio aumenta a exigência de energia do animal justamente quando a pastagem de inverno está mais pobre. A suplementação estratégica preserva o ganho de peso e evita que o boi recue na balança. A decisão pesa três fatores: a categoria animal, o objetivo do lote e o custo do suplemento frente ao prejuízo da perda de desempenho.
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