Ar frio desce sobre o MS e a Amazônia e acende alerta no rebanho de corte até sexta

Ar frio desce sobre o MS e a Amazônia e acende alerta no rebanho de corte até sexta

  • 23 de junho de 2026
  • Clima
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Fotografia de um rebanho de bovinos Nelore em pasto seco de inverno ao amanhecer, com névoa de friagem baixa sobre o campo e bafo visível saindo das narinas dos animais no frio. Ao fundo, lavoura de milho seco e céu azul royal limpo, cenário típico do Mato Grosso do Sul durante a queda de temperatura.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) projeta o avanço de uma massa de ar frio sobre o Centro-Oeste entre 22 e 29 de junho de 2026, que sustenta a friagem no Mato Grosso do Sul com mínimas entre 8 °C e 10 °C. É a faixa mais fria prevista para a região no período.

De acordo com o instituto, uma frente fria mantém a chuva entre o Mato Grosso do Sul, o oeste e o sul do Mato Grosso e o sul de Goiás pelo menos até quarta (24). Os maiores acumulados, em torno de 60 mm, se concentram entre sul de Goiás, sudeste do MT e nordeste do MS, com recuo a partir de quinta (25).

O Inmet aponta que, atrás dessa frente fria, o ar frio avança sobre a fronteira agrícola. A queda de temperatura provoca friagem no sul do Amazonas, no Acre e em Rondônia, regiões de clima quente onde o frio surpreende o rebanho a pasto.

Nas demais áreas do Centro-Oeste, os menores valores ficam entre 16 °C e 22 °C. Já o norte do Mato Grosso segue quente, com máximas que chegam aos 36 °C ao longo da semana, conforme a previsão do instituto.

Como a friagem no Mato Grosso do Sul derruba a temperatura na fronteira agrícola

A frente fria empurra o ar quente para o norte e abre espaço para uma massa de ar frio e seco vinda do Sul. Esse ar limpa o céu e reduz a umidade, condição que acelera a perda de calor do solo durante a madrugada. Por isso, as mínimas despencam, mesmo num estado de clima geralmente quente como o MS.

O frio chega num momento de peso para a pecuária local. O Mato Grosso do Sul já confina 900 mil cabeças, com crescimento de 17,8% em 2025, conforme o Censo Brasileiro de Confinamento, da dsm-firmenich. Cada dia de ar frio mexe com o consumo de cocho e o ganho de peso desses animais.

Frio e pasto seco apertam o ganho de peso do rebanho de corte

No inverno, a pastagem cresce menos e perde valor nutricional. Ao mesmo tempo, o animal gasta mais energia só para manter a temperatura corporal. A soma de pasto pobre e frio intenso trava o ganho de peso e pode fazer o boi emagrecer no auge da friagem.

A correção passa por suplementação proteica e energética nos lotes a pasto e por dieta ajustada no confinamento. Acompanhar peso e consumo lote a lote evita que a perda passe despercebida. Esse é um ponto detalhado em uma análise sobre indicadores que sustentam a margem da cria e da recria.

Bezerro recém-nascido é o elo mais frágil na queda de temperatura

Nas primeiras semanas, o bezerro ainda não regula bem a própria temperatura. Dessa forma, a friagem eleva o risco de hipotermia e de mortalidade da cria, sobretudo de madrugada e em áreas baixas, onde o ar frio se acumula. O prejuízo aqui é direto: cada animal perdido derruba a taxa de desmama da safra.

A janela de ação é curta. Portanto, as medidas a seguir valem para os próximos dias e priorizam os animais mais expostos ao frio:

  • Recolha bezerros e animais magros a piquetes abrigados do vento nas madrugadas, sobretudo em baixadas, onde o ar frio se acumula e a temperatura cai mais.
  • Eleve a densidade energética do suplemento nos lotes a pasto. Isso porque o animal queima mais energia para se aquecer quando a forragem de inverno já entrega menos nutriente.
  • Antecipe o trato do confinamento para o fim da tarde, já que o frio concentra o consumo de cocho nas horas mais quentes e o boi rejeita ração gelada de manhã cedo.

Acompanhar a resposta de cada animal ao frio fica mais simples com o controle individual de peso e consumo do rebanho, que aponta cedo o lote que está perdendo desempenho.

Frio também derruba temperaturas no Sul e no Sudeste na mesma semana

A mesma massa de ar frio que atinge o Centro-Oeste avança sobre outras regiões produtoras. Confira os destaques do boletim do Inmet para o período de 22 a 29 de junho:

  • No Rio Grande do Sul, as mínimas podem ficar abaixo de 4 °C, com máximas inferiores a 16 °C em boa parte do Sul e frio intenso pelo menos até sexta (26).
  • Em São Paulo, as mínimas caem de cerca de 14 °C para perto de 10 °C até quinta (25), conforme a frente fria avança pelo Sudeste.
  • No norte de Minas Gerais o calor resiste, com máximas entre 28 °C e 30 °C, contraste com o resto da região em queda térmica.
  • No Acre, as mínimas recuam para cerca de 16 °C, sinal da friagem que atinge o sudoeste da Amazônia em pleno clima quente.
  • O Nordeste segue estável, com mínimas acima de 20 °C na maior parte e máximas perto de 36 °C no Piauí e no Maranhão.

Perguntas frequentes sobre friagem no Mato Grosso do Sul

O que é friagem e por que ela atinge a Amazônia?

Friagem é a queda brusca de temperatura provocada pelo avanço de uma massa de ar frio do Sul até o sudoeste da Amazônia. O ar percorre a depressão central do continente e alcança Acre, Rondônia e sul do Amazonas. O fenômeno dura poucos dias, mas surpreende rebanhos pouco acostumados ao frio, que perdem desempenho mesmo em queda de temperatura curta.

A partir de quantos graus o frio começa a prejudicar o boi?

O bovino de corte adulto tem conforto térmico amplo, em torno de 10 °C a 27 °C, e o Nelore suporta bem as mínimas previstas para o MS. Não existe um limiar único: vento e umidade tiram calor do animal e derrubam esse piso na prática. O ponto crítico é o bezerro recém-nascido, que regula mal a própria temperatura e perde calor rápido em chão molhado e exposto ao vento, situação que pede abrigo imediato.

O frio no MS é forte o bastante para causar geada?

Não nesta semana. As mínimas previstas entre 8 °C e 10 °C ficam acima do limiar de formação de geada, que exige temperatura próxima de zero. A diferença fica clara no comparativo: para gear de fato, como em maio de 2025, Rio Brilhante precisou marcar 0,7 °C, de acordo com o Cemtec-MS. Ainda assim, fundos de vale concentram o ar frio e podem gear mesmo com mínima oficial maior.

Vale a pena suplementar o rebanho só por causa do frio?

Sim, nos lotes mais expostos. O frio aumenta a exigência de energia do animal justamente quando a pastagem de inverno está mais pobre. A suplementação estratégica preserva o ganho de peso e evita que o boi recue na balança. A decisão pesa três fatores: a categoria animal, o objetivo do lote e o custo do suplemento frente ao prejuízo da perda de desempenho.

Redação Veja Agro
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