Inmet confirma El Niño forte e separa o Brasil em seca em alguns locais e chuva demais em outros

Inmet confirma El Niño forte e separa o Brasil em seca em alguns locais e chuva demais em outros

  • 19 de junho de 2026
  • Clima
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Fotografia de uma lavoura de cereal de inverno coberta de orvalho ao amanhecer, com folhas verdes em primeiro plano, solo úmido no carreador e névoa baixa sobre o relevo ondulado ao fundo.

A previsão para o inverno de 2026, divulgada em nota técnica do Inmet e do Inpe, confirma El Niño no trimestre julho-agosto-setembro. O documento aponta calor acima do normal em todo o país e chuva com comportamento oposto entre as regiões.

O fenômeno é monitorado num trecho do Oceano Pacífico chamado Niño 3.4, onde a água do mar está mais quente que a média desde março. Com base nesse aquecimento, o APEC Climate Center estima 100% de chance de El Niño no trimestre e 99,4% de chance de ele ser de forte intensidade.

A chuva prevista separa o mapa em dois. O Sul recebe volume acima da média, com até 100 mm a mais no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, enquanto Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste ficam com chuva abaixo ou perto da média.

O calor, por outro lado, atinge todo mundo. A previsão indica temperatura acima da média em todas as regiões, passando de 1 °C no Norte, no Maranhão, no miolo do Centro-Oeste e no oeste de Minas. Só o centro-sul do Rio Grande do Sul deve ficar perto da média.

O que a previsão mostra sobre El Niño no país

El Niño nasce do aquecimento fora do normal das águas do Oceano Pacífico, na linha do Equador. Esse calor muda o caminho da chuva no Brasil. No inverno, ele empurra a umidade para o Sul e deixa o resto do país com tempo mais seco. Por isso, o trimestre junta chuva demais no Sul e secura crescente no Norte, no Nordeste e no Centro-Oeste.

Onde falta chuva, o calor piora o cenário. Com a temperatura alta, o solo e as plantas perdem água mais rápido. Dessa forma, a terra seca antes do esperado e o risco de falta de água sobe mesmo onde a chuva fica perto da média. O retorno do fenômeno já vinha sendo acompanhado em boletins recentes sobre o aquecimento do Pacífico.

Falta de água aperta pasto e lavoura tardia no Norte, Nordeste e Centro-Oeste

No Norte, a pouca chuva somada ao calor reduz a água armazenada no solo. Quem mais sente são as pastagens, as culturas perenes e a agricultura familiar, principalmente em solos arenosos que seguram pouca água.

No Nordeste, o foco é a lavoura que ainda não fechou o ciclo. O tempo seco ajuda a maturação e a colheita do feijão de terceira safra mais adiantado. Já nas lavouras ainda em crescimento ou em floração, a falta de água pode prejudicar o florescimento e o enchimento dos grãos. Com menos pasto, cresce a necessidade de complementar a alimentação do rebanho.

No Centro-Oeste, a chuva perto da média ajuda a colheita do milho segunda safra, do algodão e da cana. Mesmo assim, o calor pode apertar a falta de água em agosto e setembro, afetando o pasto e a água usada na pecuária, com reflexo na umidade para o início da próxima safra.

Chuva demais no Sul abre porta para doenças nas plantas de inverno

A chuva acima da média favorece o trigo, a aveia e as demais plantas de inverno no Sul. O problema é a combinação: muita água junto com calor um pouco acima do normal cria ambiente perfeito para fungos. Por isso, o excesso de umidade aumenta o risco de doenças nas plantas e cobra vistoria frequente e aplicação preventiva.

Há, porém, um ganho importante para a região. O céu mais nublado e o calor diminuem a chance de geada fora de hora. Assim, cai o risco de geada tardia, que costuma queimar trigo, aveia e lavouras perenes do Sul. Vale acompanhar o efeito do frio conforme a fase de cada lavoura na entrada de ar frio, já que o estrago muda conforme o estágio da planta.

Sudeste segura a umidade do solo, mas calor encurta o ciclo

No Sudeste, a chuva perto da média favorece o trigo e a aveia, com mais água armazenada no solo no sul de São Paulo. Por outro lado, o calor pode encurtar o ciclo das plantas, reduzir o tempo de enchimento dos grãos e abrir espaço para doenças nas folhas. No café, o tempo ajuda a colheita e, depois, floradas mais parelhas, desde que a chuva volte na hora certa.

Diante de um inverno tão dividido, vale rever a forma de proteger o resultado da safra antes que o quadro se confirme. Uma saída é avaliar a proteção da lavoura contra seca e excesso de chuva.

Pontos de atenção que o produtor não deve perder de vista

  • Norte e Nordeste: guarde a água disponível para as fases de floração e enchimento de grãos, quando a planta mais sofre sem ela.
  • Centro-Oeste: reserve forragem e cheque as fontes de água da pecuária antes de agosto, pico previsto da secura.
  • Sul: entre na lavoura com mais frequência para flagrar eventuais doenças em estágio inicial, quando a aplicação preventiva ainda vale a pena.
  • Sudeste: acompanhe de perto o ciclo encurtado para acertar a data da colheita e não perder janela.
  • Todas as regiões: o calor acima da média vale como alerta geral, mesmo onde a chuva parece normal.

Perguntas frequentes sobre a previsão para o inverno de 2026

Por que El Niño deste ano é considerado forte?

A força do fenômeno é medida pelo tanto que a água do mar fica acima da média. Acima de 1,5 °C de desvio na região Niño 3.4, o evento entra na faixa forte. Quanto mais quente o mar, mais marcante tende a ser o efeito no Brasil. Na previsão para o inverno de 2026, o APEC Climate Center estima 99,4% de chance dessa faixa forte entre julho e setembro.

Quando começa e termina o inverno de 2026?

No Brasil, o inverno vai de 21 de junho a 22 de setembro de 2026. A estação também traz episódios de friagem, com entrada de ar frio que pode chegar a Mato Grosso, Rondônia, Acre e sul do Amazonas. O ar seco favorece queimadas e exige cuidado redobrado com fogo dentro e no entorno da propriedade.

Vale a pena irrigar mesmo onde a chuva fica perto da média?

Pode valer, por causa do calor. A temperatura acima do normal faz a planta perder mais água, então a chuva “na média” pode não dar conta da demanda do dia a dia. Antes de decidir, o produtor pode conferir o balanço de água do solo no Sisdagro, ferramenta gratuita do Inmet, que mostra se a reserva está caindo na sua região.

O que a previsão muda para quem cria gado?

Muda o calendário de comida e água do rebanho. No Norte, no Nordeste e no Centro-Oeste, o pasto rebrota mais devagar e a água das fontes pode baixar a partir de agosto. No Sul, o excesso de chuva e o tempo úmido favorecem problemas sanitários nos animais. Em ambos os casos, antecipar a reserva de forragem reduz o aperto na hora errada.

Redação Veja Agro
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