
O frio nas lavouras de inverno volta a preocupar o produtor do Sul com a entrada de uma massa de ar frio nesta semana. Apesar do alerta, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta que as culturas de trigo e aveia avançam sob condições, em geral, favoráveis na região.
As chuvas recentes recompuseram a umidade do solo, sobretudo no Paraná, e impulsionaram a emergência e o desenvolvimento das plantas. No Paraná, a maior parte das lavouras está em fase vegetativa, com áreas ainda em emergência e outras iniciando a floração.
Em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, a semeadura segue, com boas condições para o estabelecimento inicial das culturas. Em Guarapuava (PR), os volumes elevados de chuva do fim de maio e de junho mantêm o bom armazenamento de água no solo, sem restrição hídrica ao longo do ciclo, conforme o boletim agrometeorológico do Inmet.
A previsão indica a intensificação de um sistema de baixa pressão sobre o Sul. A chuva volta a partir de quinta-feira (18), com acumulados que podem superar 50 mm no sudoeste, centro-sul e norte do Paraná e no norte de Santa Catarina.
No fim de semana, as mínimas devem ficar abaixo de 10 °C em boa parte do RS, da serra catarinense e do sul do PR, com registros pontuais inferiores a 8 °C em áreas mais elevadas. As máximas devem permanecer abaixo de 12 °C em grande parte da região.
A entrada da massa de ar frio derruba as temperaturas mínimas no Paraná e em Santa Catarina e mantém as máximas amenas. O ar polar reduz a transpiração e o ritmo do metabolismo da planta. Na prática, o efeito do frio depende diretamente da fase fenológica em que a lavoura se encontra.
Em estádios iniciais – emergência, emissão de folhas e perfilhamento –, as baixas temperaturas no trigo e na aveia são bem toleradas. Pode ocorrer apenas redução temporária no crescimento. No caso da aveia em desenvolvimento inicial, o frio moderado favorece o perfilhamento e, dessa forma, melhora a densidade de plantas e a uniformidade da área.
O risco sobe nas lavouras mais adiantadas. Quando as plantas entram em alongamento, emborrachamento, floração ou enchimento de grãos, o frio intenso e a geada danificam as estruturas reprodutivas e reduzem o potencial produtivo. É o ponto de atenção para quem semeou cedo.
A queda acentuada de temperatura reduz a atividade e a população de pulgões, vetores do vírus do nanismo-amarelo. Com menor pressão da praga no início do ciclo, cai a necessidade de aplicações precoces de inseticida – desde que o monitoramento de campo confirme baixa infestação.
A alternância entre pancadas de chuva e períodos secos joga a favor. Isso porque o molhamento foliar curto reduz a pressão de doenças fúngicas nos cereais de inverno do Sul, ao contrário de vários dias seguidos com alta umidade e nebulosidade.
Quatro verificações de campo orientam a decisão nesta semana de frio:
Além disso, como a geada e o granizo não têm como ser evitados a campo, considere avaliar com antecedência a proteção financeira da lavoura contra eventos climáticos antes do pico do inverno.
Por fim, para entender o comportamento de cada cereal frente ao frio, consulte o guia de boas práticas de trigo e aveia.
O dano se concentra quando o termômetro próximo ao solo cai abaixo de 0 °C, faixa atingível mesmo com a mínima do ar registrando 3 °C a 4 °C em noite limpa e seca. Plantas em floração e enchimento de grãos sofrem perda já em geadas leves e de curta duração. Termômetro instalado na altura da espiga mede melhor o risco real do que a estação meteorológica regional.
O nível de controle no trigo gira em torno de 10% das plantas infestadas na fase vegetativa marca o momento de aplicar. Abaixo disso, com mínimas seguidas sob 10 °C por vários dias, vale segurar o inseticida: o frio persistente trava a reprodução do pulgão e segura a colônia abaixo do limiar de dano. A conta vira quando o calor reentra. Isso porque uma janela de dias amenos reativa a postura e exige reavaliar o talhão antes de descartar a aplicação.
O tráfego de máquina em solo saturado compacta a camada superficial. Assim, prejudica a raiz pelo resto do ciclo. O ideal é aguardar de dois a três dias de drenagem antes de retomar a pulverização. Em área com histórico de encharcamento, conferir a saída da água nos carreadores reduz a perda de plantas por asfixia radicular.
Não, o resfriamento é mais severo no planalto sul-rio-grandense, na serra catarinense e no sul do Paraná, onde a altitude intensifica a perda de calor à noite. Vales e baixadas acumulam ar frio e registram geada mesmo quando a região no entorno escapa. Mapear os pontos baixos da propriedade ajuda a priorizar o monitoramento das áreas críticas.
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