Frio derruba mínimas a 0 °C no RS e traz geada para regiões Sul e Sudeste

Frio derruba mínimas a 0 °C no RS e traz geada para regiões Sul e Sudeste

  • 15 de junho de 2026
  • Clima
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Fotografia de lavoura de cereal de inverno coberta por geada ao amanhecer, com uma planta verde resistindo ao frio em destaque no centro do campo.

Uma frente fria seguida de massa de ar polar deve provocar geada no Sul e Sudeste entre 15 e 22 de junho de 2026, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). No Rio Grande do Sul, as mínimas devem chegar perto de 0 °C nas áreas mais altas.

O frio avança pelo Sudeste a partir do dia 15. Conforme previsão do instituto, chuva e queda de temperatura atingem São Paulo, sul de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, enquanto no Sul as máximas seguem abaixo de 22 °C ao longo da semana.

O cenário já se desenhava na semana anterior. Entre 10 e 14 de junho, Lages (SC) marcou 2,8 °C, a menor temperatura do país no período, seguida por São José dos Ausentes (RS), com 3,0 °C, e Vacaria (RS), com 3,1 °C, conforme dados da rede de estações do Inmet.

Ar polar atrás da frente fria derruba as mínimas a quase zero no Rio Grande do Sul

O resfriamento acontece porque uma massa de ar frio avança sobre a Região Sul logo após a frente fria passar, o que empurra as temperaturas para baixo. Com o céu mais limpo na sequência, o calor da superfície escapa rápido na madrugada e favorece a formação de geada.

Esse mecanismo sustenta o quadro previsto pelo Inmet. As mínimas ficam abaixo de 6 °C no Rio Grande do Sul, com áreas próximas de 0 °C. Enquanto isso, Paraná e Santa Catarina seguem esfriando entre quarta e quinta-feira. O pico de frio se concentra nesses dois dias, com leve elevação prevista para a sexta.

Risco de geada coloca lavouras sensíveis e pastagens na linha de frente até quinta

A geada queima os tecidos da planta quando a água dentro das células congela. Por isso, culturas sensíveis ao frio correm risco de perda parcial ou total onde as mínimas chegam perto de zero, sobretudo em fundos de vale, onde o ar frio se acumula durante a madrugada.

O alerta também alcança o Sudeste. O Inmet indica que o sul de Minas e o sudoeste de São Paulo registram mínimas em torno de 10 °C a partir de quarta-feira, dia 17. Dessa forma, pastagens de inverno e hortaliças expostas sofrem com o frio, enquanto o gado a campo exige atenção redobrada nas noites mais geladas.

Irrigação preventiva e cobertura de mudas antes do pico do frio

A proteção viável nesta semana é operacional, já que precisa estar pronta antes da madrugada de quinta-feira. Entre as medidas está a irrigação preventiva em pomares, que libera calor ao congelar e protege os tecidos. Além disso, a cobertura de mudas e canteiros com tecido próprio e o recolhimento de animais jovens nas noites mais frias também são estratégicas importantes.

O monitoramento diário da previsão completa o conjunto. O produtor em fundo de vale concentra o maior risco, visto que o ar frio escorre e se acumula nas partes baixas do terreno, onde a geada aparece primeiro mesmo com a estação próxima marcando temperatura acima de zero.

Seguro agrícola entra como decisão de planejamento, não de emergência

Geada é risco recorrente no Sul e no Sudeste. Todo inverno o calendário se repete. Por isso, o seguro agrícola protege a safra quando contratado com antecedência, antes do plantio de inverno. A lógica é simples: paga-se o prêmio na calmaria para ter cobertura na quebra.

A contratação não funciona de um dia para o outro. A apólice exige análise de proposta, vistoria da área e prazo de carência. Esse caminho leva semanas. Quem deixa para a véspera do frio fica de fora.

O produtor que protege o caixa pensa no ciclo inteiro, não na frente fria da vez. A cobertura transforma a perda total em prejuízo controlado, o que mantém o financiamento da safra de pé mesmo após um evento severo.

Sendo assim, considere dimensionar a proteção da lavoura contra eventos climáticos como a geada dentro do orçamento da próxima safra.

Perguntas frequentes sobre geada no Sul e Sudeste

O que caracteriza uma geada e quando ela se forma?

Geada ocorre quando a temperatura da superfície cai a ponto de congelar a umidade do ar e os tecidos das plantas. Forma-se em madrugadas de céu limpo, vento fraco e ar seco, condições típicas após a passagem de uma frente fria. Fundos de vale concentram o ar frio e registram os maiores danos, mesmo quando a estação meteorológica próxima marca temperatura acima de zero.

A irrigação por aspersão não congela a planta e agrava o dano?

Parece contraintuitivo, mas a água protege ao congelar. Cada grama de água que vira gelo libera calor e segura a temperatura da planta em torno de 0 °C, acima do ponto que mata os tecidos. A regra é manter a aspersão ligada sem parar, da formação do gelo até o degelo natural pela manhã. Interromper antes da hora expõe a planta ao frio extremo e inverte o efeito.

Quais culturas correm mais risco com a geada desta semana?

Sofrem mais as espécies sem tolerância ao frio. Café em formação, hortaliças folhosas, fruteiras com brotação nova e pastagens de inverno encabeçam a lista de risco de perda. O estágio também pesa: plantas em floração ou com tecido novo resistem menos que as já estabelecidas. Lavouras em fundo de vale somam o risco da cultura ao acúmulo de ar frio no terreno baixo.

Com quanta antecedência preciso contratar o seguro agrícola?

O ideal é fechar antes do plantio, nunca às vésperas de um evento. Entre a proposta, a vistoria da área e o prazo de carência, o processo costuma levar semanas até a apólice valer. Cada cultura tem janela própria de contratação ligada ao calendário de semeadura. Procurar a cobertura com a safra já no chão, ou com o frio anunciado, deixa o produtor sem proteção justamente quando ela importa.

Redação Veja Agro
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